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Viajante 60+ é mais digital do que sua agência imagina — e 74% não se sentem bem atendidos

Casal de idosos sorrindo no aeroporto com malas, representando o viajante 60+ mais digital
O viajante brasileiro acima de 60 anos está mais digital do que o mercado imagina — mas 74% não se sentem bem atendidos.

Resumo rápido

Uma pesquisa do Ministério do Turismo com a Data8, ouvindo 1.012 brasileiros com mais de 60 anos, mostra um público conectado (68% já compram online, 64% usam apps pra pesquisar destino, 25% já usam IA tipo ChatGPT), que viaja fora de época (87% não dependem de data específica) e gasta bem (34% passam de R$ 10 mil por ano em turismo). Mesmo assim, 74% dizem que produtos e serviços de viagem não são pensados pra faixa etária deles. É um público grande, com dinheiro e disponível o ano inteiro — e quase ninguém está falando a língua certa com ele.

Uma parcela do mercado de turismo ainda trata o viajante 60+ como alguém que precisa de tudo explicado devagar, que só compra por telefone e que só viaja em excursão fechada. A pesquisa recente do Ministério do Turismo em parceria com a Data8, apresentada na Expo Fórum Turismo 60+ 2026, mostra que essa imagem está desatualizada: 1.012 brasileiros acima de 60 anos, entrevistados entre março e abril de 2026 nas cinco regiões do país, revelam um perfil bem mais próximo do consumidor digital comum do que muita agência imagina.

68% desse público já faz compras online — sozinho ou com apoio de familiares. 64% usam aplicativos pra pesquisar destino antes de decidir. E 25% já recorreram a ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, durante o planejamento de uma viagem. Não é um público resistente à tecnologia — é um público que aprendeu a usar a tecnologia no próprio ritmo, e que continua preferindo fechar a compra com alguém de confiança.

Por que esse público vale mais do que parece

Além de estar conectado, o viajante 60+ tem outra característica que faz muita diferença pra quem vende viagem: ele não depende de calendário. 87% dizem que não precisam de uma data específica pra viajar, e a mesma proporção afirma preferir viajar fora da alta temporada. Isso é ouro pra uma agência que vive de tentar equilibrar a demanda — enquanto o resto da base fica concentrada em julho, dezembro e feriados prolongados, esse público está disponível o ano inteiro, inclusive nos meses mais fracos.

E tem poder de compra real: 34% gastam mais de R$ 10 mil por ano com turismo, e a maioria faz mais de uma viagem anual. Somando os três fatores — conectado, flexível de data, com orçamento — dá pra entender por que ignorar esse público é deixar dinheiro na mesa, principalmente pra quem já reclama de sazonalidade nas vendas, tema que já tratamos aqui, sobre como vender na baixa temporada de agosto.

Turista fotografando com smartphone durante passeio turístico, representando o uso de apps por viajantes 60+
Viajante 60+ usando o próprio smartphone pra registrar e pesquisar durante a viagem — comportamento cada vez mais comum nessa faixa etária.

O gap que a pesquisa escancarou

A parte mais dura do levantamento é essa: apenas 26% dos entrevistados sentem que as experiências de viagem oferecidas hoje são realmente pensadas pra faixa etária deles. Os outros 74% não percebem produtos e serviços adaptados às necessidades do público maduro. Ou seja: o público está pronto, digital, com dinheiro e tempo — e o mercado, em grande parte, ainda não está pronto pra ele.

Isso não significa criar um pacote com cara de “pra idoso”, cheio de estereótipo. Significa ajustar detalhes que fazem diferença real: ritmo de roteiro menos apertado, atenção a acessibilidade e conforto sem infantilizar a comunicação, opções de acomodação com estrutura adequada, e — principalmente — um atendimento que trate a pessoa como alguém que já pesquisou, já comparou e já sabe o que quer, não como alguém que precisa ser guiado passo a passo.

Como atender esse público sem errar no tom

O erro mais comum é ir pro extremo oposto do estereótipo: tratar esse público como se fosse exatamente igual a um cliente de 25 anos, ignorando que parte dele ainda prefere confirmar detalhes por telefone ou WhatsApp em vez de fechar tudo sozinho num site. O caminho certo é combinar os dois: presença digital forte (porque 68% já compram online e 64% pesquisam por app) com um canal humano fácil de acessar pra tirar dúvida e fechar com segurança — o mesmo equilíbrio que discutimos quando falamos sobre golpes de agência falsa e a importância de provar confiança pro cliente. Esse público, digital mas cauteloso, é justamente o que mais valoriza saber que existe uma pessoa real do outro lado da conversa.

Vale também revisar o material de divulgação: fotos, linguagem e destinos sugeridos costumam ser pensados pro público mais jovem por padrão. Incluir conteúdo que fale diretamente com quem tem 60+ anos — sem estereotipar, sem “envelhecer” a comunicação — é um ajuste simples que já separa quem está de olho nesse público de quem só está vendendo pra ele por acaso.

Um público que também responde rápido a quem responde rápido

Assim como qualquer outro cliente, o viajante 60+ decide melhor quando recebe resposta rápida — a diferença é que, hoje, boa parte desse público também está em grupos de WhatsApp, comunidades de bairro e recomendação boca a boca, o que faz a reputação da agência circular rápido nesse círculo. A lógica de que quem responde primeiro vende mais vale aqui com um efeito colateral bom: um atendimento bem feito pra esse público tende a virar indicação — e indicação, nesse grupo, pesa muito na decisão de compra.

Por onde começar, na prática

Não é preciso reformular todo o catálogo da agência pra atender melhor esse público. Três movimentos simples já fazem diferença: revisar a régua de contato pra ofertas de baixa temporada, já que 87% desse público prefere viajar fora da alta; garantir um canal humano visível mesmo em conteúdo digital, com WhatsApp fácil de achar e resposta rápida; e pedir indicação depois da viagem, já que esse público tem um círculo social ativo e tende a recomendar quem atendeu bem — um dos canais de aquisição mais baratos que existem, hoje subaproveitado.

Perguntas frequentes

O viajante 60+ realmente usa tecnologia pra planejar viagem?

Sim. Segundo a pesquisa do Ministério do Turismo com a Data8, 68% já fazem compras online, 64% usam aplicativos pra pesquisar destinos e 25% já usaram ferramentas de inteligência artificial no planejamento de uma viagem.

Por que vale a pena focar nesse público se ele não é maioria da base?

Porque ele resolve um problema real de quase toda agência: sazonalidade. 87% não dependem de data específica e preferem viajar fora da alta temporada, o que ajuda a equilibrar as vendas nos meses mais fracos do calendário.

O que os viajantes 60+ sentem que falta nas ofertas de viagem hoje?

74% dizem não perceber produtos e serviços pensados pra faixa etária deles — só 26% se sentem bem representados pelas ofertas atuais do mercado.

Como adaptar o atendimento sem tratar esse público de forma estereotipada?

Mantendo presença digital forte (site, redes, WhatsApp) combinada com um canal humano fácil de acessar pra confirmar detalhes e fechar com segurança — tratando a pessoa como alguém que já pesquisou, não como alguém que precisa ser guiado do zero.

Fonte: pesquisa do Ministério do Turismo em parceria com a Data8, apresentada na Expo Fórum Turismo 60+ 2026, com 1.012 entrevistados em todas as regiões do Brasil (março-abril de 2026).