
Resumo rápido
A Portaria MTur nº 30, publicada em agosto de 2026, fixou a meta oficial de 133,1 milhões de viagens nacionais no ano — reforçando um movimento que já aparece nos dados de consumo: turismo doméstico e deslocamentos terrestres ganhando espaço, com 61% dos brasileiros escolhendo primeiro onde se hospedar. Pra agência de viagem, isso é sinal de onde concentrar catálogo e argumento de venda nos próximos meses.
Enquanto boa parte do noticiário de turismo comenta o crescimento do turismo internacional, o Ministério do Turismo formalizou em agosto uma meta que fala diretamente com o dia a dia da maioria das agências brasileiras: 133,1 milhões de viagens nacionais em 2026, segundo a Portaria MTur nº 30. É uma meta grande — e ela não nasce de otimismo, nasce de um padrão de consumo que já está acontecendo.
A meta oficial e o que ela sinaliza pro setor
A Portaria MTur nº 30 atualizou as metas estratégicas do turismo brasileiro, fixando o objetivo de 133,1 milhões de viagens nacionais em 2026 e 7,5 milhões de turistas internacionais recebidos no país, conforme reportagem da HDfato — com a meta subindo para 150 milhões já em 2027. Uma meta de governo, por si só, não muda o comportamento do viajante. Mas ela confirma uma direção que os dados de consumo já vinham apontando havia meses: o brasileiro está priorizando destinos dentro do país e viagens de carro ou ônibus em vez de voos internacionais caros.
Isso já apareceu aqui no blog quando tratamos de como vender a microescapada de fim de semana — e agora ganha um reforço de política pública: o turismo doméstico deixou de ser plano B e virou o centro da estratégia nacional do setor pros próximos dois anos.
O que os dados de consumo já mostravam antes da meta oficial
Levantamentos recentes sobre padrão de consumo de viagem no Brasil, divulgados pelo Mercado & Eventos, mostram que o turismo doméstico e os deslocamentos terrestres estão ganhando espaço claro na decisão do viajante brasileiro, junto de uma preferência crescente por hospedagens que concentram serviços e atividades no mesmo local — 61% dos entrevistados apontaram a escolha da hospedagem como motivo principal da viagem, não mais só o destino em si. Isso muda o argumento de venda: o pacote não vende mais só “pra onde ir”, vende também “onde ficar e o que fazer sem sair dali”.

Ao mesmo tempo, o turismo receptivo internacional segue crescendo — os gastos de turistas estrangeiros no Brasil chegaram a US$ 6,543 bilhões entre janeiro e julho de 2026, alta de 9,4% frente ao mesmo período de 2025, segundo a Gazeta Culturismo. Ou seja: não é que o turismo internacional esteja fraco — é que o doméstico está crescendo mais rápido em volume de viagens, e é aí que mora o maior número de clientes potenciais pra maioria das agências fora do nicho de luxo ou corporativo.
Essa combinação de política pública e mudança de comportamento também reforça um ponto que já tratamos ao falar do salto do Brasil no índice global de atratividade turística: o país está sendo mais procurado e mais bem avaliado como destino, e isso vale tanto pro turista estrangeiro quanto pro brasileiro que está redescobrindo o próprio país como opção de viagem. Estados que investiram em infraestrutura turística nos últimos anos — com resorts, pousadas de padrão elevado e roteiros estruturados — tendem a captar uma fatia maior dessa meta de 133,1 milhões de viagens do que destinos que ainda dependem só do apelo natural, sem serviço organizado em volta.
Como a agência aproveita essa meta na prática
Com uma meta de 133,1 milhões de viagens nacionais em jogo, existe uma fatia de mercado sendo ativamente estimulada — por campanhas do próprio Ministério do Turismo, por estados e municípios reforçando seus destinos, e por essa mudança real de comportamento do consumidor. Pra capturar parte dela, o catálogo da agência precisa refletir esse movimento: destinos nacionais com boa infraestrutura de hospedagem all-inclusive ou com serviços concentrados, pacotes de carro/ônibus pra quem não quer ou não pode pagar voo, e combinações de curta duração que caibam num feriado prolongado.
O argumento comercial também muda. Em vez de vender só a passagem e o hotel separadamente, vale reforçar no atendimento — seja no WhatsApp, seja numa proposta formal — o quanto a hospedagem escolhida resolve a experiência inteira: piscina, restaurante, atividades, tudo no mesmo lugar, sem depender de deslocamento extra. Isso conversa diretamente com o dado dos 61% que decidem pela hospedagem primeiro. Uma agência que já organiza esse tipo de argumento de venda estruturado, com follow-up automático pra não deixar a proposta esfriar, tem uma vantagem real nesse momento — é esse tipo de estrutura que a AceleraTour ajuda a colocar de pé, conectando captação, atendimento e follow-up num único fluxo.
Vale lembrar também que essa meta de viagens nacionais soma-se a outras frentes de receita já discutidas aqui, como o crescimento do seguro viagem como fonte extra de receita — um produto que se encaixa tão bem numa viagem nacional de carro quanto numa internacional, e que reforça a percepção de agência completa, não só revendedora de passagem.
Um exemplo de como isso aparece na prática
Pense numa agência que hoje vende majoritariamente pacotes internacionais e trata o destino nacional como “opção mais barata” pro cliente que não tem orçamento. Com a meta de 133,1 milhões de viagens nacionais puxando demanda e mídia o ano inteiro, essa mesma agência pode reposicionar parte do catálogo: um resort all-inclusive no litoral nordestino, por exemplo, deixa de ser “a opção de quem não pode viajar pra fora” e passa a ser vendido pelo que os dados mostram que o cliente já valoriza — hospedagem completa, deslocamento terrestre mais simples, e menos etapas de planejamento. O produto pode ser o mesmo de sempre; a forma de apresentá-lo é que muda pra acompanhar onde a demanda está crescendo mais rápido agora.
Perguntas frequentes
O que é a Portaria MTur nº 30?
É a portaria publicada pelo Ministério do Turismo em agosto de 2026 que atualiza as metas estratégicas do setor, fixando o objetivo de 133,1 milhões de viagens nacionais e 7,5 milhões de turistas internacionais recebidos no Brasil em 2026.
Isso significa que o turismo internacional está em queda?
Não. Os gastos de turistas internacionais no Brasil cresceram 9,4% entre janeiro e julho de 2026 na comparação anual. O que acontece é que o volume de viagens domésticas está crescendo em ritmo ainda mais forte, ampliando a fatia de mercado disponível dentro do país.
Por que a hospedagem virou tão importante na decisão do viajante?
Porque 61% dos brasileiros hoje escolhem primeiro onde vão se hospedar, priorizando locais que concentram serviços e atividades no mesmo lugar — o que reduz a necessidade de organizar deslocamentos e atividades separadas durante a viagem.
Como minha agência ajusta o catálogo pra essa tendência?
Priorizando destinos nacionais com boa infraestrutura de hospedagem completa, pacotes com deslocamento terrestre e opções de curta duração, além de reforçar no atendimento o quanto a hospedagem escolhida resolve a experiência inteira do cliente.
