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90% Decidem Pela Comida: Como Transformar Experiência Gastronômica em Estratégia de Marketing da Sua Agência

Banca de mercado local com frutas e verduras frescas e coloridas
Mercado local, prato típico, oficina de cozinha: para o viajante de 2026, a comida deixou de ser detalhe da viagem para virar motivo dela.

Resumo rápido

Segundo estudo da Booking.com com mais de 32 mil viajantes, 90% dos brasileiros consideram a culinária local ao planejar uma viagem, 43% considerariam adicionar uma experiência gastronômica ao roteiro e 42% pretendem visitar cervejarias, vinícolas ou cafeterias locais. Esse é um dado de comportamento, não uma moda passageira — e agências que ainda vendem só “hospedagem + passeio” estão deixando dinheiro na mesa. Veja como transformar isso em pacote, em roteiro e em argumento de venda.

O dado que muda a forma de vender destino

Um levantamento da Booking.com, feito em janeiro de 2026 com mais de 32 mil viajantes, trouxe um número que qualquer agência de viagens deveria colar na parede: 90% dos brasileiros afirmam que experimentar a cultura gastronômica e a culinária local é uma motivação importante para viajar. Não é sobre comer bem durante a viagem — é sobre a comida ser, para a grande maioria das pessoas, um dos motivos que leva a escolher um destino em vez de outro.

O mesmo levantamento mostra que essa motivação não fica só na intenção: 43% dos entrevistados afirmam que considerariam adicionar uma experiência gastronômica específica ao roteiro, e 42% pretendem visitar cervejarias, vinícolas ou cafeterias locais durante a viagem. Reportagens recentes sobre tendências do setor para 2026, como a compilada pela mercadoeeventos.com.br, reforçam o mesmo ponto: o viajante de 2026 busca autenticidade — quer entender a cultura de um lugar através do que se come ali, não só através do que se vê.

Por que isso é uma oportunidade de marketing, não só de curadoria

É tentador tratar esse dado como curiosidade de comportamento do consumidor. Mas, na prática, ele é um argumento de venda pronto — e a maioria das agências ainda não o usa. Quando o roteiro é vendido só com hospedagem, transporte e um ou dois passeios genéricos, a agência está competindo por preço com qualquer plataforma de reserva online. Quando o roteiro inclui uma experiência gastronômica específica e nomeada — visita a um mercado local com um guia, uma oficina de culinária regional, um jantar com produtor local — a agência está vendendo algo que o cliente não encontra sozinho com três cliques, e isso muda completamente a conversa sobre preço.

Essa lógica de agregar valor percebido em vez de competir só por tarifa é a mesma que já discutimos aqui no blog ao falar de como o seguro viagem pode virar fonte de receita consultiva em vez de item burocrático — a experiência gastronômica funciona no mesmo princípio: é um upsell que o cliente pede para comprar, porque resolve um desejo real dele.

Grupo de turistas participando de aula de culinária com chef em cozinha
Oficinas de culinária regional são um dos formatos que mais crescem dentro da motivação gastronômica — o viajante não quer só provar, quer aprender a fazer.

Como transformar o dado em pacote de verdade

Não é preciso reformular o catálogo inteiro da agência para capturar essa demanda. Três movimentos práticos costumam trazer resultado rápido:

1. Nomear a experiência no roteiro, não só mencionar. Trocar “café da manhã incluso” por “café da manhã com produtos da região, incluindo degustação guiada” já muda a percepção de valor, mesmo sendo, na prática, uma adaptação simples do fornecedor.

2. Fechar parceria com pelo menos um operador local de experiência gastronômica. Uma oficina de culinária, uma visita a mercado municipal ou um roteiro de bares e restaurantes com guia local — isso não exige que a agência opere a experiência, só que a inclua como item vendável no pacote.

3. Usar a experiência gastronômica como gancho de venda consultiva, não como item de lista. Em vez de listar “inclui visita a vinícola” no meio de outros dez itens, o consultor pergunta logo na cotação: “você gostaria de incluir uma experiência gastronômica no roteiro? É um dos itens mais pedidos por quem viaja para esse destino.” A pergunta, sozinha, já eleva o ticket médio em boa parte dos casos.

Depois que esse tipo de experiência é vendida, o pós-venda também importa — o mesmo cliente que valorizou uma vivência gastronômica é um bom candidato para receber conteúdo sobre o próximo destino com esse mesmo perfil, algo que abordamos em detalhe no artigo sobre a régua de pós-venda automática para viajantes.

O que muda no jeito de negociar preço

Um ponto que costuma surpreender consultores que testam essa abordagem pela primeira vez: incluir uma experiência gastronômica nomeada no roteiro reduz a objeção de preço, em vez de aumentar. Isso acontece porque o cliente para de comparar o pacote linha por linha com o concorrente mais barato — ele está comparando duas propostas diferentes, uma genérica e uma com uma vivência que ele já disse, na pesquisa, que valoriza. Essa dinâmica se conecta diretamente com o comportamento de consumo mais amplo do brasileiro em 2026, que já discutimos no artigo sobre como o brasileiro financia a viagem hoje em dia: quando o cliente enxerga valor claro, ele reorganiza o orçamento em vez de simplesmente desistir da compra.

Agências que já usam esse tipo de argumentação relatam um padrão parecido: o pacote com experiência gastronômica nomeada fecha mais rápido, porque tira a decisão do terreno “qual agência é mais barata” e coloca no terreno “qual proposta entrega a experiência que eu quero viver”. É exatamente esse tipo de reposicionamento consultivo — do preço para o valor — que a AceleraTour ajuda agências de viagem a estruturar dentro do próprio funil de vendas, do primeiro contato até o fechamento.

Comece pequeno, mas comece

Não é necessário virar uma agência especializada em turismo gastronômico da noite para o dia. O primeiro passo realista é escolher os dois ou três destinos que mais vendem hoje e mapear, para cada um, uma experiência gastronômica local que já existe e pode ser incluída como opcional na cotação. A partir do momento em que o consultor começa a oferecer essa opção de forma consistente — não só quando o cliente pergunta —, o dado dos 90% deixa de ser estatística de pesquisa e vira ticket médio maior em cada proposta enviada.

Perguntas frequentes

O que exatamente conta como “experiência gastronômica” num roteiro?

Pode ser desde uma visita guiada a um mercado municipal até uma oficina de culinária regional, um jantar com produtor local, ou um roteiro de bares e restaurantes típicos com acompanhamento. O importante é que seja nomeada e específica, não um item genérico como “café da manhã incluso”.

Toda agência precisa ter um fornecedor próprio de experiências gastronômicas?

Não. A forma mais simples de começar é fechar parceria com operadores locais que já oferecem esse tipo de experiência no destino vendido, e incluir a opção na cotação — sem precisar operar nada diretamente.

Incluir experiência gastronômica encarece demais o pacote?

Depende do formato escolhido, mas o padrão observado é que o aumento de ticket é proporcionalmente menor do que o aumento de valor percebido pelo cliente — e a objeção de preço tende a diminuir, não aumentar, quando a experiência é bem apresentada na cotação.

Esse tipo de dado vale só para viagem internacional?

Não. O estudo da Booking.com trata do comportamento geral do viajante brasileiro, incluindo destinos nacionais — a valorização da culinária local se aplica tanto a uma viagem para a Europa quanto a um roteiro dentro do Brasil.