
Resumo rápido
Passadas as férias de julho, agosto entra como o mês mais barato pra voar, dentro da baixa temporada de inverno. Segundo levantamento da Skyscanner, 81% dos viajantes querem ir a lugares que amigos ou redes sociais ainda não exploraram, e 84% preferem roteiros fora do circuito mais óbvio. Isso já está puxando destinos como a Patagônia Chilena e Rosário pra cima de Santiago e Buenos Aires, e no Brasil favorece cidades com boa estrutura mas fora do trio praia-sol-verão, como Gramado. Pra agência, a virada de chave é parar de empurrar só os destinos mais buscados e passar a vender também os “quase famosos” — com o mesmo cuidado e a mesma agilidade de resposta de sempre.
O post da semana passada mostrou como vender a alta temporada de julho, quando o cliente já sabe o que quer e decide rápido. Agora que as férias escolares terminam, o jogo muda: começa a baixa temporada, e o perfil de quem ainda vai viajar em agosto e nos meses seguintes é bem diferente — mais paciente pra pesquisar, mais sensível a preço, e, segundo os dados mais recentes do setor, cada vez mais interessado em não ir aonde todo mundo já foi.
O que os dados de 2026 mostram sobre esse viajante
Um levantamento da Skyscanner, divulgado pelo Portal PANROTAS, mostra que 81% dos viajantes consideram mais interessante conhecer lugares que amigos, família ou redes sociais ainda não exploraram. Outros 84% dizem preferir roteiros fora do circuito mais convencional. Segundo o mesmo estudo, o planejamento de viagem em 2026 pesa cada vez mais três fatores: custo, flexibilidade e diferenciação — nessa ordem de importância pra boa parte dos entrevistados.
O levantamento também aponta que agosto é o mês com as passagens mais baratas da temporada de inverno, alinhado ao comportamento de 40% dos viajantes que preferem viajar fora do pico de julho justamente por causa do preço. Ou seja, o cliente que ainda não viajou não está necessariamente sem dinheiro ou sem vontade — muitas vezes está esperando o momento mais barato, e pesquisando destino com mais calma do que quem já comprou em junho.
Por que “fora do radar” virou estratégia de venda, não só curiosidade
Esse dado importa pra agência porque muda a ordem em que vale apresentar opção pro cliente. Se 84% já chegam preferindo o destino menos esperado, insistir só no clássico mais procurado (que todo cliente já viu em toda propaganda) desperdiça a chance de fechar mais rápido com uma sugestão que já bate com o que a pessoa estava procurando, só que ela ainda não sabia o nome do lugar.
Na prática, isso não significa abandonar os destinos mais famosos — eles continuam vendendo bem, principalmente pra quem viaja em grupo ou com criança pequena e prefere estrutura testada. Significa ter, na manga, uma segunda sugestão “prima” do destino óbvio: mais barata, menos lotada, e com a mesma vibe que o cliente já demonstrou interesse. Essa segunda opção costuma ser a que fecha mais rápido justamente por parecer uma descoberta, não uma oferta genérica.
Os destinos que estão saindo na frente nessa baixa temporada
No exterior, o Chile segue como favorito de inverno, com Santiago servindo de porta de entrada pelas estações de esqui nas proximidades. Mas segundo a Skyscanner, o excesso de gente e o preço mais alto em Santiago já empurram uma fatia de viajantes — 54% dos entrevistados que priorizam tranquilidade — pra Patagônia Chilena, acessada por cidades como Balmaceda, Punta Arenas e Puerto Natales. Outro nome que vem crescendo é Rosário, na Argentina, cidade natal de Lionel Messi: clima parecido com o do sul do Brasil no inverno, gastronomia forte e um clima bem mais tranquilo do que Buenos Aires, segundo reportagem do Uai Turismo. Paris, Orlando, Roma e Lisboa continuam entre os destinos internacionais mais buscados na baixa temporada, segundo dados do Booking.com citados pela Gazeta Culturismo — só que com Santiago entrando logo atrás de Paris na preferência internacional.

No Brasil, os dados do mesmo levantamento da Gazeta Culturismo mostram Rio de Janeiro, São Paulo, Maceió, Gramado e João Pessoa no topo das buscas de baixa temporada entre abril e junho. Olhando só pra quem viaja em família, Gramado lidera, seguido por Porto de Galinhas, Porto Seguro, Maceió e Ubatuba — todos destinos com estrutura turística consolidada, o que reduz o risco de reclamação e devolução de cliente insatisfeito. Já quem foge do frio prefere Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife, segundo o Uai Turismo.
Como transformar esses dados em argumento de venda agora
O primeiro ajuste é simples: ao apresentar cotação pra quem pediu Buenos Aires, vale mencionar Rosário como opção mais tranquila e mais barata, com o mesmo clima da época. Quem pediu Santiago pode ouvir sobre a Patagônia Chilena como complemento de roteiro, não substituição — muitos viajantes combinam os dois numa mesma viagem, o que também aumenta o ticket da venda. E quem ainda não decidiu destino nenhum se beneficia de ouvir, logo de cara, que agosto tende a ter passagem mais barata do que julho, o que já é motivo suficiente pra fechar mais rápido em vez de adiar de novo.
O segundo ajuste é de atendimento, não de destino: como mostramos em quem responde primeiro, vende, esse cliente de baixa temporada pesquisa mais e demora mais pra decidir — o que também significa que ele está comparando agência, não só destino. Responder rápido com uma sugestão certeira, em vez de mandar o catálogo inteiro, é o que separa quem fecha a venda de quem só respondeu mais uma cotação entre várias.
O que fazer com quem ainda está só pesquisando
Segundo a Skyscanner, 43% dos viajantes ainda estavam pesquisando opções de inverno na época do levantamento — uma fatia grande de gente que não decidiu nada ainda, e que a agência não deveria deixar esfriar. Pra esse grupo, vale menos insistir num destino fechado e mais perguntar o que a pessoa já descartou e por quê: se o motivo foi preço, um destino “primo” mais barato resolve; se foi lotação ou fila, um destino menos óbvio com a mesma vibe já responde à objeção antes dela virar desculpa pra adiar a viagem de novo.
Vale lembrar que esse tipo de cliente indeciso é exatamente o perfil que mais se beneficia de um diagnóstico bem feito do funil de vendas — muitas vezes o problema não é falta de interesse do cliente, é a agência não ter, à mão, a segunda sugestão certa no momento da primeira objeção.
Perguntas frequentes
Por que agosto é considerado o melhor mês pra vender viagem de baixa temporada?
Porque, segundo a Skyscanner, é o mês com as passagens mais baratas da temporada de inverno, alinhado à preferência de 40% dos viajantes que escolhem viajar fora do pico de julho justamente pelo preço menor.
Vale abandonar os destinos mais famosos e vender só os alternativos?
Não. Os destinos mais buscados continuam vendendo bem, principalmente pra família e grupos que preferem estrutura testada. A estratégia é ter também uma segunda sugestão mais barata e menos lotada, pra quando o cliente já demonstrar interesse em algo diferente.
Quais destinos internacionais estão crescendo como alternativa nessa baixa temporada?
Patagônia Chilena como complemento a Santiago, e Rosário (Argentina) como alternativa mais tranquila e acessível a Buenos Aires, segundo dados da Skyscanner e do Uai Turismo.
E no Brasil, quais destinos de baixa temporada valem mais atenção agora?
Rio de Janeiro, São Paulo, Maceió, Gramado e João Pessoa lideram as buscas gerais, segundo dados do Booking.com. Para famílias, Gramado, Porto de Galinhas, Porto Seguro, Maceió e Ubatuba se destacam pela estrutura turística.
