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Mercado de Turismo no Brasil: o Que Toda Agência Precisa Saber

Dona de agência de viagens analisando relatórios sobre o mercado de turismo no escritório
O mercado de turismo brasileiro está em expansão — e a agência pequena tem espaço nele.

Resumo rápido

O mercado de turismo no Brasil cresce, puxado pela viagem doméstica, mas os números oficiais vêm de fontes diferentes e nem sempre batem entre si. Este guia reúne os dados mais recentes do MTur, da Embratur, do Cadastur, da Abav Nacional e do IBGE. Também explica as tendências de 2026 e mostra onde a agência pequena ganha espaço.

Atualizado em 15/10/2026.

O mercado de turismo no Brasil mudou de tamanho nos últimos dois anos. Mais gente viaja dentro do país, o turismo corporativo fatura bilhões e as agências pequenas ainda dominam o setor. Mas os números saem de pesquisas diferentes, com metodologias diferentes, e isso confunde quem só quer entender onde o negócio está indo.

O mercado de turismo no Brasil, hoje, é formado majoritariamente por viagens domésticas, por micro e pequenas agências e por uma onda de formalização via Cadastur. O gasto de turistas estrangeiros passou de R$ 38 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, segundo o MTur. Mais de 9 em cada 10 agências associadas à Abav são micro ou pequenas empresas.

O que é o mercado de turismo?

Mercado de turismo é o conjunto de empresas, serviços e viagens que movimentam dinheiro em torno do deslocamento de pessoas. Entram nessa conta agências, companhias aéreas, hotéis, operadoras e plataformas digitais. No Brasil, ele mistura turismo doméstico, turismo internacional (gente de fora vindo pra cá) e turismo emissivo (brasileiro saindo do país).

Cada uma dessas frentes tem um tamanho diferente e cresce num ritmo diferente. Por isso, falar em “o mercado de turismo” sem separar esses pedaços gera número solto, sem contexto. Este guia separa cada frente antes de comparar.

No Brasil, o turismo doméstico pesa mais que o internacional em volume de viagens. O brasileiro viajando dentro do próprio país movimenta muito mais gente do que o turista estrangeiro chegando ou o brasileiro saindo pro exterior. Isso muda a prioridade de quem monta o catálogo de uma agência pequena. O produto nacional costuma ter demanda maior do que o internacional, mesmo com ticket médio menor.

Essa proporção também aparece no calendário do setor. A Abav Expo 2026, realizada em São Paulo, reuniu expectativa de 40 mil participantes e 2 mil marcas. A maioria delas vendia produto nacional ou receptivo, não só pacote internacional. O tamanho do evento é mais um sinal de que o mercado interno sustenta boa parte do negócio.

Qual é o tamanho do mercado de turismo hoje?

O turismo doméstico é o motor do setor no Brasil. A Revista Tendências do Turismo 2026, da Embratur, projeta cerca de 367,4 milhões de viagens domésticas no país em 2026. É o brasileiro viajando dentro do próprio país que sustenta a maior fatia do mercado.

Do lado internacional, os números divergem conforme a fonte. Na abertura da Abav Expo 2026, o secretário nacional de Políticas de Turismo, Augusto Rocha, citou mais de 9 milhões de turistas internacionais em 2025. Já um levantamento da Embratur apontou 6,1 milhões de visitantes chegando por via aérea no mesmo ano, cerca de 66% do total de chegadas. As duas contagens usam critérios diferentes, então o ideal é checar a metodologia antes de citar um número isolado.

O gasto do turista estrangeiro também cresceu. Segundo o MTur, entre janeiro e agosto de 2026 esse gasto somou R$ 38 bilhões. No mesmo período, o turismo corporativo faturou R$ 9,7 bilhões. O setor emprega, segundo o MTur, mais de 2 milhões de trabalhadores, com cerca de 900 mil vagas formais geradas no período.

O IBGE confirma o movimento de crescimento, mesmo com dado mais antigo. A Pesquisa Mensal de Serviços mostrou alta de 6,6% no turismo no primeiro semestre de 2025, frente a 2024. Não há, até esta publicação, dado consolidado do IBGE pra 2026.

Esse crescimento também aparece na pauta política do setor. Na Abav Expo 2026, a presidente da Abav Nacional, Ana Carolina Medeiros, defendeu um ponto. A reforma tributária precisa considerar a forma como a agência de viagens opera, já que o negócio trabalha com intermediação, não com produção direta. A fala reforça um ponto prático: crescimento de mercado não significa, automaticamente, menos burocracia pra quem vende viagem no dia a dia.

Vale separar sinal de ruído nesses números. Declaração em evento de turismo costuma vir sem nota metodológica, enquanto pesquisa como o Censo Abav ou a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE documenta amostra e período. Antes de usar um número numa proposta comercial ou num post, compensa checar se ele vem de pesquisa ou de discurso de abertura de feira.

Mãos apontando gráfico de crescimento do turismo em relatório impresso
Os números do setor vêm de fontes diferentes — vale cruzar mais de uma antes de decidir algo.

Quem são as agências de viagens no Brasil?

A agência de viagens brasileira típica é pequena. O Censo Abav 2025, da Abav Nacional, ouviu 697 agências em todos os estados e no Distrito Federal. O resultado: mais de 9 em cada 10 agências associadas são micro ou pequenas empresas. Quase metade opera com 2 a 4 colaboradores, e mais de um quarto é tocada só pelo dono, sem equipe fixa.

O censo também mostrou veteranice: 78,4% das agências associadas atuam no mercado há mais de cinco anos. O segmento de lazer domina, com 62,7% das agências associadas, seguido por receptivo, corporativo e operações de incoming.

O Censo oferece uma visão atual e precisa do nosso setor.

Jerusa Hara, diretora executiva da Abav Nacional — Mercado & Eventos

Esse retrato muda a forma de pensar o negócio. A maioria de quem compete com a sua agência não é uma rede grande. É outro dono pequeno, com pouca equipe e pouco orçamento de marketing — e é aí que organização e atendimento rápido viram vantagem real.

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Quais são as tendências do turismo pra 2026?

Quatro formatos de viagem crescem acima da média, segundo a Abav Nacional. São eles: microescapadas de fim de semana, bleisure (trabalho mais lazer), turismo sênior e experiências de luxo personalizadas. Nenhum desses formatos exige operação grande pra atender bem.

A projeção global também ajuda o Brasil: estimativa de até 8% de alta nas chegadas internacionais e 9,8% nos gastos de turistas estrangeiros. Ao mesmo tempo, o setor caminha pra curadoria. A Abav descreve uma migração do agente que só emite passagem pro agente que monta roteiro, negocia fornecedor e acompanha o cliente antes, durante e depois da viagem.

Cada uma dessas quatro tendências pede uma operação diferente. A microescapada é viagem curta, perto de casa, decidida em cima da hora — o agente de viagens que responde rápido no fim de semana leva vantagem. O bleisure mistura dias de trabalho com dias de lazer, então o roteiro precisa encaixar reunião e passeio sem perder o fio.

O turismo sênior cresce porque esse público tem tempo livre e renda disponível. Mas também pede mais cuidado: seguro viagem, acessibilidade e ritmo mais tranquilo entram na conversa de venda. Já o luxo personalizado não é só sobre preço alto. É sobre roteiro sob medida, com curadoria de hotel, experiência e logística que o cliente não monta sozinho numa plataforma de reserva online.

Formalização é outra frente em alta. O Cadastur, cadastro oficial do Ministério do Turismo, já soma 19,2 mil empreendimentos registrados. Só entre os meios de hospedagem, 3,4 mil já operam com a Ficha Nacional de Registro de Hóspedes Digital — perto de 20% de adesão. O cadastro vira, cada vez mais, argumento de venda: mostra pro cliente que a agência é regularizada.

Panorama do mercado por segmento

A tabela abaixo resume cada frente do mercado de turismo brasileiro e aponta onde a agência pequena consegue entrar sem precisar do orçamento de uma rede grande.

Segmento Dado recente (2025–2026) Onde a agência pequena entra
Turismo doméstico ~367,4 milhões de viagens projetadas em 2026 (Embratur) Pacotes e roteiros nacionais, inclusive de curta duração
Turismo internacional (receptivo) 6,1 a 9 milhões de visitantes em 2025, conforme a fonte Receptivo regional e parcerias com operadoras especializadas
Turismo corporativo R$ 9,7 bilhões faturados (jan–ago/2026, MTur) Atendimento próximo a pequenas e médias empresas locais
Formalização (Cadastur) 19,2 mil empreendimentos cadastrados Cadastro como prova de confiança na venda
Novos formatos Microescapadas, bleisure, turismo sênior, luxo personalizado em alta (Abav) Curadoria e atendimento próximo, sem depender de volume

Como acompanhar esses dados ao longo do ano?

Dado de mercado desatualiza rápido. O jeito mais simples de acompanhar é guardar as fontes usadas neste guia num favorito do navegador. São elas: o painel de dados do MTur, os relatórios da Embratur e o Cadastur. Some a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE e as publicações da Abav Nacional, como o Censo Abav.

Não é preciso checar tudo toda semana. Uma revisão a cada três meses já é suficiente pra notar mudança de tendência. Um exemplo: perceber se o gasto do turista estrangeiro continua subindo ou se estabiliza. Outro exemplo: notar se um novo formato de viagem aparece nas pesquisas da Abav antes de virar assunto no seu grupo de WhatsApp com outros agentes.

Vale também comparar o dado nacional com o que você vê na sua própria carteira de clientes. Se o mercado cresce 6% e a sua agência cresce menos que isso, o problema não é o mercado. É a captação, o atendimento ou o funil. Os números deste guia servem de régua, não de desculpa.

Onde a agência de viagens pequena ganha espaço?

A agência pequena ganha espaço onde a curadoria pesa mais que o preço. Isso acontece em roteiros personalizados, atendimento rápido e relação de confiança. São três coisas que uma rede grande, com milhares de clientes, tem dificuldade de entregar no mesmo nível.

Essa vantagem também aparece no pós-venda. Uma operação pequena consegue lembrar que o cliente viajou com a família em julho. Pode oferecer uma microescapada de casal em outubro, sem precisar de um sistema caro de automação em massa. É relacionamento direto, não escala — e é exatamente isso que o cliente de agência pequena costuma procurar.

Checklist pra aproveitar o momento do mercado:

  • Regularizar o Cadastur e usar isso como argumento de venda.
  • Escolher 1 ou 2 formatos em alta (microescapada, bleisure, turismo sênior ou luxo) e virar referência neles.
  • Organizar cada contato em um funil, pra nenhuma cotação ficar esquecida.
  • Medir de onde vem o cliente, antes de investir mais em anúncio.
  • Acompanhar o cliente depois da viagem, pra virar recompra e indicação.

Um sistema para agência de viagens ajuda a sustentar esses cinco pontos sem precisar de uma equipe grande. Quem já decidiu qual sistema usar pode seguir direto pro guia de CRM para agência de viagens. Quem ainda está estruturando o negócio do zero pode começar pelo guia como abrir agência de viagens.

Na prática: como aplicar isso na sua agência de viagens

Pegue o seu segmento hoje e compare com a tabela acima. A sua operação vive de pacote nacional de fim de semana? O dado de 367,4 milhões de viagens domésticas projetadas diz que a demanda está aí. O trabalho é aparecer na hora certa.

Exemplo prático: uma agência de lazer recebe um lead pelo WhatsApp perguntando sobre uma microescapada pro litoral. Em vez de mandar só o preço, o agente de viagens pergunta a data, o perfil do grupo e o que a pessoa já viajou antes. Com essas três respostas, ele monta um roteiro curto e cobra pela curadoria, não só pela passagem.

Esse tipo de atendimento é mais fácil de manter com os contatos organizados. Sem funil, cada lead vira uma conversa solta. O número de agências pequenas no censo, 697 respondentes, mostra que a concorrência também está de olho nos mesmos clientes.

Segundo exemplo: uma agência corporativa percebe, pelos dados deste guia, que o turismo corporativo faturou R$ 9,7 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. Em vez de tentar atender empresa grande direto, ela foca em pequenas e médias empresas da própria região. É um nicho que concorre menos com operadora nacional de viagem corporativa e que valoriza atendimento próximo.

Como fazemos na AceleraTour

Na AceleraTour, a gente não trata o mercado de turismo como um número de relatório. A gente separa os dados por tipo de agência — lazer, corporativo, receptivo — porque cada um reage diferente a tendência de alta ou de queda.

Quando montamos o sistema de uma agência, cruzamos o segmento dela com os formatos em alta descritos neste guia. Uma operação de luxo personalizado, por exemplo, usa um funil mais longo, com mais etapas de qualificação. Uma operação de microescapada usa um funil curto, pensado pra fechar rápido pelo WhatsApp.

Também olhamos pra formalização como parte do atendimento, não só como burocracia. O Cadastur da agência entra na conversa com o cliente, no site e na resposta automática. Prova de confiança pesa na decisão de compra, principalmente agora, com tanta notícia de golpe de agência falsa circulando.

E quando o dono da agência pergunta “o mercado cresce, mas minha agência não, por quê?”, a resposta quase nunca está só no mercado. A gente olha primeiro pro funil interno: quantos leads chegam, quantos recebem resposta em até uma hora e quantos somem sem retorno. Esses três números, não o número nacional de turismo, costumam explicar o resultado do mês.

Quando os dados do mercado não resolvem sozinhos

Dado de mercado não fecha venda sozinho. Saber que o turismo doméstico cresce não muda o resultado da sua agência se o atendimento continuar lento ou a cotação continuar se perdendo na conversa.

Erro comum: usar um número de crescimento nacional pra justificar uma meta local sem checar a própria base de clientes. O mercado pode crescer 6% e a sua agência ficar estagnada, se a captação e o funil não acompanharem. Os dados deste guia servem pra direção, não pra previsão garantida do seu negócio.

Outro erro é misturar fonte sem citar qual é. Como este guia mostrou, MTur e Embratur já divergiram no número de turistas internacionais de 2025. Usar o número maior sem dizer a fonte, numa proposta ou num post, pode soar mais como propaganda do que como dado.

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Perguntas frequentes

Qual é o tamanho do mercado de turismo no Brasil?

A Embratur projeta cerca de 367,4 milhões de viagens domésticas em 2026. No lado internacional, as fontes divergem. O MTur citou mais de 9 milhões de turistas em 2025. A Embratur registrou 6,1 milhões chegando por via aérea no mesmo ano.

A maioria das agências de viagens brasileiras é pequena?

Sim. O Censo Abav 2025 mostra que mais de 9 em cada 10 agências associadas à Abav Nacional são micro ou pequenas empresas. Mais de um quarto é tocada só pelo dono.

Quais são as tendências do turismo para 2026?

A Abav Nacional aponta microescapadas, bleisure, turismo sênior e experiências de luxo personalizadas como os formatos em alta. Nenhum deles exige operação grande.

O que é o Cadastur e por que ele importa pro mercado de turismo?

Cadastur é o cadastro oficial do Ministério do Turismo. Ele já soma 19,2 mil empreendimentos registrados e funciona como prova de confiança na hora de vender, principalmente diante de golpes de agência falsa.

Onde a agência de viagens pequena consegue crescer nesse mercado?

Nos espaços onde curadoria pesa mais que preço: roteiro personalizado, atendimento rápido e relação de confiança. São pontos fortes de quem atende perto do cliente, não de quem opera em grande volume.

Com que frequência vale acompanhar os dados do mercado de turismo?

Uma revisão a cada três meses costuma ser suficiente. É tempo pra notar mudança de tendência sem transformar isso numa tarefa diária, já que boa parte das pesquisas citadas neste guia é trimestral ou anual.