
Resumo rápido
Um estudo da Peers Consulting + Technology com o TEC.Institute, publicado pela MIT Technology Review Brasil, mostra que só 40,7% das empresas brasileiras conseguem transformar investimento em IA generativa em retorno financeiro comprovado. O ponto mais crítico é o chamado “vale da escala”: entre 12 e 24 meses de uso, o índice de satisfação com os resultados cai para 13,3%, antes de voltar a subir. Para agências de viagem que já usam ou estão testando IA, entender essa curva evita abandonar a ferramenta certa na hora errada.
O entusiasmo inicial engana
Quase toda agência que testa uma ferramenta de IA — um chatbot de atendimento, um assistente que sugere roteiros, um sistema que redige orçamentos automaticamente — sente o mesmo efeito nos primeiros meses: parece ótimo. E, segundo o estudo conduzido pelo TEC.Institute em parceria com a Peers Consulting + Technology e publicado pela MIT Technology Review Brasil, isso não é impressão: entre empresas com menos de seis meses de uso de IA generativa, 35,1% relatam resultados acima do esperado, conforme reportagem da CNN Brasil.
O problema é o que vem depois. Esse mesmo índice de satisfação despenca para 13,3% entre as empresas com 12 a 24 meses de maturidade de uso — e só volta a subir, para 39%, nas que passam de dois anos de adoção. A pesquisa batizou esse período intermediário de “vale da escala”: a fase em que a ferramenta sai do piloto isolado, bem-sucedido e comemorado, e precisa se integrar de verdade a processos, sistemas já existentes e à qualidade dos dados internos da operação.

Por que o meio do caminho é onde a maioria trava
De acordo com o levantamento, um dos principais motivos que impedem empresas de avançar além da fase de teste é a base de dados internos desorganizada: uma IA generativa depende diretamente da qualidade das informações que consome, e é justamente entre 12 e 24 meses que essa fragilidade aparece com mais força — quando o projeto deixa de ser um experimento isolado e passa a exigir integração com o resto da operação. O estudo entrevistou 120 respondentes (majoritariamente sócios, fundadores e executivos C-level) e conduziu 18 entrevistas qualitativas com executivos de tecnologia e dados de empresas de 12 setores diferentes, publicado em 28 de agosto de 2026.
Para uma agência de viagens, essa fragilidade tem nome e sobrenome: histórico de conversas de WhatsApp espalhado entre celulares pessoais, orçamentos que só existem em PDF avulso, cadastro de cliente duplicado entre planilha e CRM. Um chatbot ou assistente de IA alimentado com essa base fragmentada tende a performar bem na demonstração e mal na operação real — não porque a ferramenta seja ruim, mas porque os dados que ela recebe são inconsistentes. É o mesmo tipo de fragmentação de leads entre vendedores que já discutimos aqui — só que agora ela também compromete a IA que a agência tentou implementar por cima dela.
O mercado de turismo já sente essa pressão — e não é mais opcional ignorar
A urgência é real especificamente para o setor de viagens. Segundo a VOENEWS, a inteligência artificial deixou de ser opcional para as agências de viagem brasileiras: a operação do setor sempre foi marcada por processos manuais, dependência do conhecimento individual de cada vendedor e sistemas fragmentados — exatamente o tipo de base que, segundo o estudo da Peers e do MIT Technology Review Brasil, mais atrapalha a IA a entregar retorno depois da fase inicial de testes.
A boa notícia é que o “vale da escala” tem saída conhecida: não é acelerar a adoção de mais ferramentas de IA, e sim organizar antes a base que já existe. Um CRM único, com histórico centralizado de cada lead e cliente, é a estrutura que evita que a agência entre no vale sem saída — porque a IA, seja ela um chatbot de atendimento ou um mecanismo de priorização, passa a se apoiar em dado limpo desde o primeiro dia, em vez de herdar a bagunça de planilhas e conversas soltas. É esse tipo de base organizada que a AceleraTour estrutura antes de qualquer camada de automação ou IA entrar em cena — evitando que a agência pague o preço do vale da escala sozinha, sem ter a base pronta para atravessá-lo.
O que fazer enquanto sua agência está no meio da curva
Se sua agência já testa IA há um ano e os resultados pareceram esfriar, isso não é sinal de que a tecnologia falhou — é o próprio vale da escala descrito pelo estudo. A recomendação prática é resistir ao impulso de abandonar a ferramenta ou trocar de fornecedor nesse momento, e em vez disso auditar a base de dados que alimenta ela: quantos cadastros duplicados existem, quantas conversas de cliente estão fora do CRM, quanto histórico de negociação está apenas na cabeça de um vendedor específico. Empresas que resolvem essa base antes dos 24 meses são exatamente as que aparecem do outro lado do vale, com 39% relatando resultados acima do esperado.
Vale reforçar um ponto que o próprio estudo destaca: o problema raramente está na ferramenta de IA escolhida. Chatbots, assistentes de redação de orçamento e mecanismos de recomendação de destino chegam, hoje, com qualidade técnica muito parecida entre fornecedores diferentes. A diferença de resultado entre uma agência que atravessa o vale da escala e outra que trava nele está quase sempre na disciplina de manter um único cadastro por cliente, um único histórico de conversa por lead e um único critério de prioridade de atendimento — não em qual IA especificamente foi contratada.
Isso também muda a forma como vale medir sucesso nesse período. Em vez de acompanhar apenas “a IA está vendendo mais?”, faz mais sentido medir se a base de dados está mais limpa mês a mês: menos duplicidade de contato, menos informação perdida entre canais, menos decisão de atendimento tomada sem histórico completo à vista. Esse indicador intermediário é o que efetivamente prevê se a agência vai sair do vale da escala nos 39% de sucesso, ou ficar presa nos 13,3% de frustração que a maioria das empresas brasileiras ainda enfrenta.
Perguntas frequentes
O que é o “vale da escala” da IA generativa?
É o período, identificado pelo estudo da Peers Consulting + Technology com o TEC.Institute e publicado pela MIT Technology Review Brasil, entre 12 e 24 meses de uso de IA generativa, em que a satisfação com os resultados cai para 13,3% — antes de voltar a subir para 39% após dois anos de adoção madura.
Por que só 40,7% das empresas brasileiras têm retorno comprovado com IA generativa?
Porque a maioria trava na fase de integração: a tecnologia funciona bem em pilotos isolados, mas exige dados internos organizados e processos consistentes para escalar — e é justamente essa base que costuma estar fragmentada.
Minha agência de viagens deve parar de usar IA se os resultados caírem depois de um ano?
Não. Segundo o estudo, essa queda de resultado percebido é comum entre 12 e 24 meses de uso. A recomendação é organizar a base de dados (CRM, histórico de clientes) em vez de abandonar a ferramenta nesse momento.
Como uma agência de viagens evita cair no vale da escala?
Centralizando o histórico de leads e clientes em um único CRM antes de escalar o uso de IA, para que chatbots e mecanismos de automação trabalhem sobre dado limpo e não sobre informação fragmentada entre planilhas, WhatsApp pessoal e papel.
