
Resumo rápido
No Travel Connect 2026, evento da VOLL que reuniu cerca de 2 mil profissionais em São Paulo em 9 de setembro, o head de arquitetura da LATAM Airlines apresentou dados mostrando que o tráfego vindo de ferramentas de IA para sites de viagem nos Estados Unidos cresceu 119% em um ano, com engajamento subindo 14% em julho e conversão 60% maior que outras origens de tráfego. O recado pra agências brasileiras: essa fonte de tráfego já não é secundária — e quem não está preparado pra recebê-la está deixando a conversão mais barata do mercado na mesa.
O dado que saiu do Travel Connect 2026
Na quarta-feira, 9 de setembro, o Golden Hall do WTC em São Paulo recebeu a 5ª edição do Travel Connect, o maior evento de inovação em viagens corporativas do Brasil, promovido pela VOLL. Cerca de 2 mil profissionais e mais de 25 palestrantes passaram por sete horas de conteúdo sobre IA, dados e o futuro das viagens corporativas. Entre as apresentações, uma chamou atenção de quem cuida de marketing digital: Paulo Silva, head de arquitetura da LATAM Airlines, levou ao palco a palestra “Experiências Integradas na Era dos Agentes de IA”, mostrando como o chamado comércio agêntico (agentic commerce) já está ganhando espaço real no setor de viagens.
Os números que ele apresentou não vieram de uma simulação teórica: são dados de tráfego real de sites de viagem nos Estados Unidos, mercado que costuma antecipar em 12 a 18 meses o que chega ao Brasil nesse tipo de tendência digital. E o tamanho do salto surpreende até quem já esperava crescimento.
Os números: 119% de crescimento, 14% de engajamento, 60% mais conversão
Segundo os dados apresentados por Silva, o tráfego de ferramentas de IA para sites de viagem nos Estados Unidos cresceu 119% em comparação ao ano anterior. Em julho de 2026 especificamente, o engajamento desse tráfego aumentou 14% — sinal de que não é só volume subindo, é qualidade de visita também. E o dado que mais interessa a quem vende: a conversão associada a esse tráfego vindo de IA é 60% maior do que a de outras origens de tráfego digital.
Pra colocar em perspectiva: na maior parte dos canais de aquisição — mídia paga, redes sociais, busca orgânica tradicional — uma agência comemora quando consegue melhorar a taxa de conversão em alguns pontos percentuais ao longo de um trimestre inteiro de otimização. Um canal que já nasce convertendo 60% acima da média não é só mais uma fonte de tráfego pra monitorar; é, hoje, a fonte de tráfego com o melhor retorno relativo que existe — mesmo sendo, ainda, a menor em volume absoluto.

Por que o tráfego vindo de IA converte mais que o tráfego tradicional
A explicação por trás desse número tem a ver com o próprio funcionamento de uma busca em IA. Quando alguém digita uma palavra-chave solta num buscador tradicional, está muitas vezes só começando a pesquisar — comparando, sem intenção de compra formada. Quando alguém pergunta a um assistente de IA “monte um roteiro de 10 dias pro Chile com orçamento de até R$8 mil”, a pergunta já carrega orçamento, prazo e intenção. A IA faz o trabalho de qualificação que, no funil tradicional, ficava por conta do próprio site ou do vendedor. Quem chega recomendado por essa via chega mais perto da decisão — e é exatamente por isso que converte mais.
Isso conecta diretamente com um ponto que já tratamos aqui no blog: 89% dos viajantes já usam IA pra planejar viagem, mas só 6% confiam nela sozinha pra fechar a compra. Ou seja, a IA está cada vez mais presente na etapa de pesquisa e decisão — mas o fechamento continua exigindo uma agência ou operadora do outro lado. É exatamente esse hiato entre “IA que qualifica” e “humano que fecha” que os 60% de conversão a mais estão medindo.
O que isso muda na prática pro marketing da sua agência
O primeiro efeito prático é sobre onde investir esforço de conteúdo. Se o tráfego vindo de IA já converte 60% a mais, otimizar pra aparecer nesse tipo de busca deixa de ser um exercício de longo prazo e passa a competir, em prioridade, com qualquer campanha de mídia paga — com a vantagem de custar apenas o tempo de produzir o conteúdo certo, sem leilão de lance por clique. É a mesma lógica por trás do crescimento do setor de tecnologia de viagem no Brasil, que já soma 225 travel techs mapeadas pela Loupit — um mercado inteiro se reorganizando ao redor de canais digitais mais inteligentes.
O segundo efeito é sobre velocidade de atendimento. Um lead que chega mais qualificado — porque uma IA já filtrou orçamento, destino e intenção antes de indicar sua agência — é também um lead com expectativa mais alta de resposta rápida. Perder essa janela por falta de organização no atendimento é desperdiçar exatamente o tráfego que mais converte. Ferramentas como a AceleraTour existem justamente pra que, quando esse contato mais qualificado chegar, a agência esteja pronta pra responder na velocidade que ele já veio esperando.
O terceiro efeito, mais estratégico, é sobre orçamento. Se uma fatia crescente e mais lucrativa da demanda passa pelo crivo de uma IA antes de chegar à sua agência, vale reavaliar quanto do orçamento de marketing hoje está indo pra canais que otimizam apenas pra buscadores tradicionais — e considerar redirecionar parte disso pra produção de conteúdo estruturado, que é o que alimenta tanto o SEO clássico quanto essa nova geração de buscas por IA.
Perguntas frequentes
O que é comércio agêntico (agentic commerce)?
É o modelo em que agentes de IA pesquisam, comparam e recomendam produtos ou serviços em nome do consumidor, participando ativamente da jornada de compra antes mesmo de um humano acessar o site final.
Esse dado de 119% e 60% veio de qual fonte?
Foi apresentado por Paulo Silva, head de arquitetura da LATAM Airlines, na palestra “Experiências Integradas na Era dos Agentes de IA” no Travel Connect 2026, evento da VOLL realizado em 9 de setembro em São Paulo.
Esse crescimento já vale pro mercado brasileiro ou só para os Estados Unidos?
Os números apresentados são do mercado americano, que historicamente antecipa tendências digitais que chegam ao Brasil em 12 a 18 meses — por isso o movimento vale acompanhar e se preparar agora, mesmo antes de dados equivalentes no Brasil.
Por onde uma agência pequena começa a captar esse tráfego?
Pelo mesmo caminho do SEO para IA: publicar conteúdo que responda às perguntas reais de planejamento de viagem do seu nicho, com a especialidade da agência declarada de forma clara e repetida.
