
Resumo rápido
Nos dias 12 e 13 de agosto, a Travel Next Minas 2026 reuniu cerca de 7 mil participantes e mais de 800 marcas em Belo Horizonte, com marketing digital e IA aplicada ao dia a dia das agências como dois dos temas centrais da programação. O recado prático pra quem não foi: storytelling pra fugir da guerra de preço e ferramentas de IA como apoio operacional, não como substituição da equipe.
Um termômetro do setor, não só mais uma feira
Com o conceito “da origem à inovação”, a Travel Next Minas 2026 aconteceu nos dias 12 e 13 de agosto no Expominas, em Belo Horizonte, reunindo cerca de sete mil participantes e mais de 800 marcas expositoras — números que colocam o evento entre os mais relevantes do calendário de turismo do país neste ano.
Mais interessante que os números de público, porém, foi o que a programação paralela de palestras revelou sobre onde as agências de viagem brasileiras estão colocando energia agora: presença digital, inteligência artificial aplicada à operação do dia a dia e gestão de risco dividiram o Palco Arena com temas mais tradicionais do setor, como turismo de luxo e seguro-viagem.
Storytelling contra a guerra de preço
Uma das palestras de maior repercussão foi a do publicitário e consultor de marketing para turismo Thiago Akira, que discutiu como storytelling pode ajudar agências e destinos a escapar da comparação direta por preço — o cenário mais desgastante pra quem vende pacote de viagem competindo só por desconto.
A lógica é simples de entender e difícil de praticar: quando duas agências oferecem o mesmo hotel e o mesmo voo, o cliente compara valor. Quando uma agência conta uma história — do destino, da experiência, de quem já viajou e voltou diferente — o cliente para de comparar preço e passa a comparar experiência. É o mesmo raciocínio que já detalhamos em nosso artigo sobre como aparecer nas respostas de IA do Google e do ChatGPT: conteúdo genérico não se destaca nem pro algoritmo, nem pro cliente.
Na prática, isso significa trocar o post “Pacote Cancún 7 noites, a partir de R$ X” por algo como “o casal que adiou a lua de mel duas vezes e finalmente foi pra Cancún — e o que quase deu errado no caminho”. A segunda versão ainda vende o mesmo destino, mas dá ao cliente um motivo emocional pra escolher justamente aquela agência, não qualquer uma que tenha o mesmo pacote em estoque. Preço vira critério de desempate, não critério único.

IA no dia a dia, sem ilusão de substituição
No segundo dia do evento, Thiago Akira também apresentou passos iniciais para o uso de ferramentas de IA no cotidiano operacional das agências — geração de legendas, roteiros de conteúdo, respostas rápidas a dúvidas recorrentes. O tom das falas, segundo a cobertura do evento, foi de aplicação prática e imediata, não de promessa distante.
Esse recorte conversa direto com o que temos visto em outras frentes do setor: agentes de IA já são realidade em operações maiores — como mostramos em nosso artigo sobre a captação de R$ 10 milhões da Nuvia pra automatizar vendas com IA no turismo — mas o uso mais realista pra uma agência pequena ou média hoje é mais modesto: IA como assistente de produtividade no marketing e no atendimento, liberando tempo do consultor humano pra fazer o que só um humano faz bem, que é vender confiança.
A curadoria de conteúdo deste ano, assinada por Liliana Gonzales, reforçou esse equilíbrio logo na palestra de abertura, ao tratar de soluções inteligentes de seguro-viagem integradas à operação da agência — tecnologia entrando como camada de suporte dentro de um processo que continua sendo conduzido por gente.
Gestão de risco também entrou na pauta de marketing
Vale registrar um ponto que passa despercebido em coberturas mais rápidas do evento: gestão de risco e blindagem jurídica dividiram palco com marketing digital e IA — não por acaso. Cada vez mais, a forma como uma agência comunica política de cancelamento, seguro-viagem e transparência contratual vira, ela mesma, parte da experiência de marca. Um cliente que entende com clareza o que acontece se precisar cancelar a viagem compra com menos hesitação do que um que só descobre a política no meio de um imprevisto.
Isso reforça um padrão que já aparece em eventos do setor ao longo do ano: marketing, tecnologia e gestão de risco deixaram de ser departamentos isolados na cabeça de quem toma decisão numa agência de viagens — e passaram a ser tratados como parte do mesmo pacote de confiança que o cliente avalia antes de fechar.
O que uma agência que não foi ao evento pode aplicar hoje
Não é preciso ter estado no Expominas pra aproveitar os dois recados centrais da programação. O primeiro é revisar como a agência se apresenta online: se toda a comunicação é preço, promoção e “últimas vagas”, vale testar pelo menos um conteúdo por semana contando uma história real de cliente — antes, durante e depois da viagem. O segundo é mapear tarefas repetitivas de marketing e atendimento (legendas, respostas padrão, lembretes) que podem ganhar apoio de IA sem tirar a agência do controle da conversa com o cliente.
Isso se conecta com um ponto que já tratamos em nosso artigo com 3 casos reais de agências que multiplicaram vendas com automação e CRM bem feitos: o ganho não vem da tecnologia sozinha, vem de usá-la pra sobrar tempo humano onde ele mais importa — na conversa que fecha a venda.
É esse o espírito por trás da forma como a AceleraTour organiza marketing, atendimento e CRM numa única rotina pra agências de viagem: automatizar o repetitivo pra sobrar tempo pro que só um consultor humano faz — contar a história certa pro cliente certo.
Perguntas frequentes
O que foi a Travel Next Minas 2026?
Um evento de turismo realizado em 12 e 13 de agosto de 2026 no Expominas, em Belo Horizonte, com cerca de 7 mil participantes e mais de 800 marcas expositoras, incluindo programação de palestras sobre marketing digital, IA e gestão de risco pra agências de viagem.
O que é storytelling aplicado a agências de viagem?
É contar histórias reais de destinos e clientes em vez de comunicar só preço e promoção — uma forma de tirar o cliente da comparação direta de valor e aproximá-lo da experiência que a viagem representa.
IA vai substituir o consultor de viagens?
Não é essa a tendência discutida no evento. O uso mais realista de IA hoje é como apoio em tarefas repetitivas — legendas, roteiros, respostas rápidas — liberando tempo do consultor humano pra atender e vender.
Uma agência pequena consegue aplicar essas ideias sem ter ido ao evento?
Sim. Os dois pontos práticos — investir em conteúdo com histórias reais e mapear tarefas repetitivas pra apoiar com IA — não dependem de ter participado da feira, só de revisar a rotina de marketing e atendimento já existente.
