
Resumo rápido
Pesquisa da Mastercard apresentada no MOVE 2026 mostra que 62% das empresas já expandem o uso de IA na gestão de viagens e despesas. 85% dos gestores acreditam que a inteligência artificial vai decidir a maior parte da viagem corporativa em até cinco anos, com pouca supervisão humana. Pra agência de viagens que atende empresa, o recado é direto: quem não tiver dados organizados fica de fora dessa decisão automatizada.
A Mastercard apresentou, em 5 de outubro de 2026, durante o evento MOVE em São Paulo, a pesquisa “The Connected Future of T&E Management”. O estudo mostra que 62% das empresas já ampliam o uso de inteligência artificial na gestão de viagens e despesas corporativas. 89% colocam a modernização no topo das prioridades pra 2026.
O Que a Pesquisa da Mastercard Mostrou no MOVE 2026
A pesquisa ouviu gestores de viagens corporativas e foi apresentada por Fabiano Grottoli, vice-presidente de Soluções Corporativas da Mastercard Brasil. Os números mostram uma virada rápida: 62% das organizações já expandem o uso de IA no programa de T&E (travel and expense, ou viagem e despesa). 89% tratam a modernização como prioridade máxima.
Esse salto não é promessa de longo prazo. É movimento em andamento, em empresas que já têm orçamento e equipe dedicados a viagem corporativa. O estudo foi apresentado no MOVE, evento da PANROTAS voltado a gestores de viagens, que reuniu mais de 400 profissionais do setor corporativo em São Paulo nesta semana.
Grottoli também levou ao palco a palestra “O Futuro da Viagem Corporativa: 7 Mudanças Que Já Começaram”. Entre os pontos citados, estão a tributária nova mexendo com o custo da viagem de negócio e o cartão corporativo virando fonte de dado em tempo real. A própria figura do gestor de viagem também muda: de operador pra curador de política.
Por Que 85% das Empresas Apostam na IA Pra Decidir a Viagem
85% dos gestores ouvidos pela Mastercard acreditam que a inteligência artificial vai administrar a maior parte das decisões de T&E com pouca supervisão humana dentro de cinco anos. Isso inclui escolha de voo, hotel e até aprovação de despesa — tarefas hoje feitas manualmente por um agente ou por um gestor financeiro.
Não é troca de ferramenta. É troca de quem decide. Hoje, um colaborador pede a viagem, um gestor aprova e um agente de viagens cota e emite. Na visão da pesquisa, boa parte dessa cadeia passa a rodar sozinha. A IA cruza política da empresa, histórico de gasto e disponibilidade em tempo real.
Isso não quer dizer que o agente de viagens desaparece da equação. Quer dizer que o valor dele se desloca. Em vez de comparar tarifa manualmente, o profissional passa a cuidar da exceção: a viagem fora do padrão, o cliente insatisfeito, a negociação que exige relação humana. A pesquisa reforça esse ponto: a IA concentra o volume repetitivo, e a pessoa concentra o que precisa de julgamento.

O Ecossistema Conectado Pesa Mais Que a Ferramenta Isolada
91% dos gestores dizem que integrar o cartão corporativo ao fluxo de viagem é essencial pra ter controle de gasto em tempo real. 78% afirmam que a IA não entrega todo o potencial sem sistemas de viagem, pagamento, despesa e financeiro conectados entre si.
A IA não vai automatizar a viagem, vai automatizar a decisão. O futuro do T&E não é uma ferramenta melhor, é um ecossistema melhor.
Fabiano Grottoli, vice-presidente de Soluções Corporativas da Mastercard Brasil — PANROTAS
Essa frase resume o recado da pesquisa pro setor inteiro. Sistema isolado perde relevância. O que conta é a informação do cliente, do pagamento e da viagem andando junto, no mesmo lugar.
| Dado | O que significa pra quem vende viagem |
|---|---|
| 62% já expandem IA no T&E | A automação da gestão de viagem corporativa já não é teste, é rotina em boa parte das empresas |
| 89% tratam modernização como prioridade | Fornecedor sem sistema integrado perde espaço na mesa de negociação |
| 91% querem cartão integrado ao fluxo | Controle de gasto em tempo real vira exigência, não diferencial |
| 85% esperam IA decidindo em 5 anos | O papel do agente de viagens muda de executor pra curador da decisão |
| 78% dizem que só IA não basta | Sistema desconectado trava o ganho prometido pela automação |
O Que Isso Muda Pra Agência de Viagens Que Atende Empresa
A pesquisa foi feita com gestores de grande empresa, não com donos de agência de viagens pequena. Mas a direção vale pros dois lados do balcão. Uma agência de viagens que atende cliente corporativo compete, cada vez mais, com um sistema automatizado dentro da própria empresa cliente.
Isso pede dado organizado: histórico de cada cliente, política de viagem registrada, resposta rápida de cotação. Um sistema para agência de viagens que centraliza cotação, follow-up e cliente num só lugar deixa de ser conveniência e vira pré-requisito pra continuar na mesa. Isso é literalmente o que um CRM bem usado resolve, mesmo numa agência de viagens pequena.
Na prática, três coisas já pesam na escolha de fornecedor: velocidade de resposta à cotação, histórico acessível de cada viajante e gasto em tempo real pro financeiro do cliente. Uma agência de viagens que ainda cota por planilha solta e responde pelo WhatsApp pessoal perde justamente nesses três pontos. Não é falta de bom atendimento — é falta de sistema que sustente a velocidade exigida.
Outro exemplo prático é o caso da VOLL, que já gerencia viagem corporativa de mais de 850 mil pessoas com arquitetura de IA agêntica. Ele mostra que o movimento descrito pela Mastercard já tem player operando em escala no Brasil. A diferença, pra agência de viagens pequena, é a escala: ela não precisa competir em tecnologia pesada, precisa competir em dado organizado e resposta rápida.
A AceleraTour organiza justamente essa ponta: CRM, WhatsApp e funil de venda reunidos, pra agência de viagens pequena não perder cliente corporativo por falta de resposta rápida.
O Que essa Pesquisa NÃO Muda
A pesquisa não significa que toda agência de viagens precisa de inteligência artificial amanhã. A maioria das agências de viagens no Brasil é pequena, muitas vezes sem funcionário fixo, como mostrou o Censo Abav 2025. O salto de 85% é projeção de gestor de empresa grande sobre os próprios cinco anos, não um prazo pra todo o setor.
O próprio Grottoli reforça que o ganho vem do ecossistema conectado, não da IA isolada. Pra agência de viagens pequena, o primeiro passo segue sendo organizar o básico: cliente, cotação e follow-up num lugar só. A automação pesada vem depois, com dado já limpo pra alimentar.
Vale lembrar o tamanho real do setor no Brasil. O Censo Abav 2025 mostrou que mais de 92% das agências de viagens do país são micro ou pequena empresa. 27,5% não têm nenhum funcionário além do dono. Pra essa maioria, a pesquisa da Mastercard não é um prazo, é um termômetro. Ela mostra pra onde o cliente corporativo caminha, não o que a agência de viagens precisa entregar amanhã de manhã.
Perguntas frequentes
O que é T&E na gestão de viagens corporativas?
T&E é a sigla de “travel and expense”, o conjunto de processos de viagem e despesa dentro de uma empresa: pedido, aprovação, emissão, pagamento e prestação de contas.
A pesquisa da Mastercard vale só pra empresa grande?
A amostra da pesquisa é formada por gestores de viagem corporativa, geralmente de empresas de médio e grande porte. A tendência de dado integrado também afeta agência de viagens pequena que atende esse público.
Minha agência de viagens de lazer também precisa se preocupar com isso?
Em menor grau. O corporativo lidera a adoção de IA porque tem volume e orçamento maiores. Mas o hábito de decisão rápida baseada em dado tende a chegar também no cliente de lazer.
Como a agência de viagens pequena começa a se preparar?
Organizando primeiro o que já existe: cliente, histórico de cotação e follow-up num CRM simples. Automação de decisão só funciona em cima de dado organizado.
